terça-feira, 18 de outubro de 2011

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A necessidade de ouvir e dar espaço às vozes locais foi o tema que marcou o primeiro dia do I Seminário Regional ALAIC – Bacia Amazônica. Nesse sentido, a Amazônia é vista como espaço estratégico para as discussões da comunicação na contemporaneidade, tanto por ser pauta internacional como pela grande presença dos movimentos sociais no cotidiano da região.

Formaram a mesa de abertura o prof. Dr. Cesar Bolaño, presidente da ALAIC; José Miguel Veloso diretor da Assessoria de Educação a Distância da UFPA; Fátima Pessoa, vice-diretora do Instituto de Letras e Comunicação da UFPA; Lívia Campelo, da Cáritas do Brasil representando os movimentos sociais; e a coordenadora do evento, Profa. Maria Ataíde Malcher.

A diversidade de línguas e idéias compôs a primeira mesa do Seminário Regional Alaic, intitulada "La investigación en Comunicación en América Latina: Interdisciplina, Pensamiento Crítico e Compromiso social na Amazônia”. Para discutir está temática, foram convidados Jean Michel, da Guiana Francesa, César Bolaño, da Alaic e Eduardo Villaneuva, do Peru.

Comunicação e cultura na América Latina - O prof. Bolaño partiu de uma análise das mudanças sociais e culturais ocorridas no pós Revolução Industrial, principalmente com a ascensão do capitalismo e suas implicações na cultura popular e no campo da ciência. Observando o cenário atual, de reorganização e novas formas de atuar dos movimentos sociais no contexto da comunicação, Bolaño acredita no desenvolvimento e necessidade de um pensamento crítico da realidade, após um período de retrocesso dessa forma de pensamento.

Ao analisar o contexto da comunicação social na Guiana Francesa, Jean Michel demonstrou o controle da informação no país, por meio dos grupos que controlam os meios de comunicação. Para Michel, o sistema de comunicação é completamente subjugado às emissoras francesas, o que manteria o status de colônia que a Guiana Francesa ainda sofre perante a França.

Já a comunicação em rede e suas implicações na cultura foram questões analisadas pelo prof° Eduardo Villaneuva. De acordo com ele, a comunicação digital, principalmente, abre novas possibilidades de relações interpessoais, visibilidade e identificações culturais. Para Villaneuva, assim, “comunicar não é só receber e processar, é escolher o que receber e como processar”.

O I Seminário Regional Alaic – Bacia Amazônica vai até dia 19. Porém, em seguida abre o Mídia Cidadã 2011, indo até dia 22. As discussões apenas começaram, sendo desenvolvidas ao longo da semana. A proposta é trazer novas perspectivas sobre a comunicação na América Latina e Amazônia.

Texto: Yuri Coelho
Foto: Ciro Brito

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

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Como no restante do Brasil, existem mestres na Amazônia que não alcançaram esse título no ambiente acadêmico. São mestres porque obtiveram esse reconhecimento na comunidade onde vivem, por possuírem um conhecimento único, quase sempre adquirido empiricamente, colecionado ao longo do tempo e amadurecido pela vivência e pela sensibilidade. Esses mestres não são professores por formação, tampouco cientistas, muitos não sabem nem mesmo ler e escrever, mas transmitem seus conhecimentos no cotidiano, através da oralidade, e são referências em determinado conhecimento popular.


São artesãos, músicos, poetas, canoeiros, parteiras, benzederias, mateiros, erveiras, enfim, são mestres da cultura popular. Figuras centrais para as comunidades onde vivem, mas fora dela pouco reconhecidos.


Não é à toa que para adquirir a formação de médico ou de farmacêutico são necessários anos de estudo e constante pesquisa e atualização. Esses profissionais lidam com a vida das pessoas, e qualquer procedimento equivocado pode causar grandes danos à saúde da população. Quem lida com um tipo de medicina conhecida como popular e com a manipulação de fitoterápicos, por outro lado, são grandes alvos de críticas por não terem tido a mesma formação institucionalizada dos médicos e farmacêuticos.


Embora órgãos oficiais da Saúde e o próprio Conselho Federal de Farmácia já reconheçam o valor e a eficácia de determinados remédios e tratamentos naturais e do conhecimento popular que tradicionalmente os utiliza, uma parte considerável da população não só não acredita como denigre a imagem de quem acredita e utiliza desse conhecimento popular.


Para uma reflexão sobre o saber popular


O que se pretende – e este texto pretende ser uma instigação à reflexão – é que, para realizar um debate democrático sobre o tema, é necessário abertura e respeito por conhecimentos que têm origens diferenciadas, mas cada qual com seu valor.


O conhecimento popular, geralmente de origem tradicional (mas nem sempre), pode apresentar riscos (como no caso da medicina popular) por não serem submetidos ao rigor científico? Sim. Mas o que dizer dos erros médicos? É preciso também ter uma postura crítica diante do conhecimento científico, que não é soberano como muitos acreditam.


A mesma postura crítica deve ser aplicada em relação aos que detêm o conhecimento institucionalizado para fazer comunicação ou arte. Afinal, sabemos que os que fazem comunicação e arte alternativa e/ou popular são alvos de muitas críticas, entre elas a de que não podem ser consideradas comunicação de qualidade ou arte/cultura verdadeiras, legítimas.

Se ambas as formas de conhecimento têm seus valores, práticas que visem à união (de forma que uma complemente a outra) são muito mais produtivas do que práticas de oposição, de divergência e de negação do saber que é diferente (e não necessariamente inferior).

Para saber mais:

Matéria sobre novos fitoterápicos na rede pública de saúde (revista Pharmacia Brasileira - Setembro a Dezembro 2009) - http://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/123/31a34.pdf


Fitoterápicos – Presidente do Conselho Federal de Farmácia questiona Drauzio Varella. Médico responde - http://www.tudosobreplantas.com.br/blog/index.php/2010/08/24/fitoterapicos-presidente-do-cff-questiona-drauzio-varella-medico-responde/


Texto: Élida Cristo

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

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O universo acadêmico é privilégio para “um muito” que ainda é pouco. Mas mesmo com acesso difícil e limitado, a Universidade possui diversas maneiras de se fazer presente na sociedade. O Ensino, a Pesquisa e a Extensão estão cada vez mais voltados para a inserção no contexto local, de onde tiram as bases para o conhecimento e para onde o conhecimento volta em forma de ações que promovem a cidadania, nas suas variadas faces.



A Universidade Federal do Pará, por exemplo, abriga 452 atividades oficiais só de Extensão, entre programas e projetos. A Extensão é uma forma de interação direta entre a comunidade interna à universidade e a comunidade externa: é um momento de aplicação (na prática) do conhecimento adquirido teoricamente no ambiente acadêmico. Por isso, é também uma maneira de retornar à sociedade o conhecimento científico adquirido.




Se a sociedade lá fora não dá todas as condições necessárias para o desenvolvimento digno do ser humano, a Universidade deve assumir seu papel de gerar alternativas, mas também de fomentar atitudes mais amplas de mudança social. Nesse sentido, espaços de debate (como seminários, congressos e a própria sala de aula) são de grande importância: a teoria também deve cumprir seu papel de formar cidadãos críticos e conscientes dos seus direitos e capazes de levar essa consciência para a sociedade que o cerca.


Em uma região com o Índice de Desenvolvimento Humano tão baixo, como a Amazônia, atividades como essas fazem grande diferença. A Universidade, a um só tempo, carrega a responsabilidade de formar profissionais críticos e éticos, e de contribuir para a diminuição das desigualdades.

Para saber mais sobre investimentos públicos no Ensino Superior:
http://blog.planalto.gov.br/para-haddad-desafio-na-educacao-profissional-e-superior-e-garantir-expansao-qualificada-dos-cursos-e-oportunidades/





Texto: Élida Cristo

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

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Quem estiver interessado em participar da II Conferência Sul Americana e VII Brasileira de Mídia Cidadã e ainda o I Seminário Regional ALAIC - Bacia Amazônica ainda pode ser inscrever no evento até o dia 10 de outubro. A taxa para estudantes é de R$ 35,00 e para profissionais e pesquisadores é de R$ 70,00.

O evento acontece de 17 a 22 de outubro,
na Universidade Federal do Para e é voltado para professores, estudantes, profissionais, representantes da sociedade civil e pesquisadores que se interessem por ampliar o diálogo e a reflexão sobre a comunicação cidadã.


Para se inscrever, basta preencher a ficha de inscrição e enviá-la para midiacidada2011@gmail.com, juntamente com o comprovante de pagamento, que deve ser efetuado por meio de depósito no Banco do Brasil, Conta Corrente Nº 99.472-3, Agência: 3702-8 CÓDIGO IDENTIFICADOR: 106.260-3.

Atenção: não serão aceitos depósitos feitos em envelopes, apenas depósitos diretamente no caixa ou transferências bancárias

Não deixe de participar!

Mais informações no site www.midiacidada.ufpa.br

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

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As inscrições para os Monitores do Mídia Cidadã ainda estão abertas para que você possa ajudar a construir este grande evento. Dele fazem parte: a II Conferência Sul-Americana de Mídia Cidadã e a VII Conferência Brasileira de Mídia Cidadã, que é uma iniciativa que pretende ampliar o diálogo e a reflexão sobre a comunicação cidadã, partindo do olhar e das experiências vivenciadas na região Amazônica.

Veja mais informações sobre como se inscrever no blog do Mídia Cidadã.

As inscrições foram prorrogadas e até o dia 10/10 você pode enviar sua ficha de inscrição. No dia 11/10 (terça feira) acontecerá uma reunião no auditório do Instituto de Letras e Comunicação da UFPA para determinar as tarefas de cada um.

Ainda dá tempo de ajudar e participar!


Se você quiser mais informações, visite: http://midiacidada.ufpa.br

terça-feira, 4 de outubro de 2011

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A Amazônia, vista como região estratégica sob o ponto de vista econômico e político, ainda precisa ser conhecida pelo Brasil, pela América Latina e pelos próprios amazônidas sob os aspectos sócio-cultural e comunicacional. E isso não pressupõe maior visibilidade da região nos meios de comunicação, incentivo ao turismo, ou o simples mapeamento social com vistas a atender políticas desenvolvimentistas, mas sim uma reflexão crítica que se consolide e ultrapasse os muros das universidades e dos centros e instituições de pesquisa.

Numa região com realidades tão diversas, são diversos os objetos de estudo para a Comunicação. Objetos que surgem no contexto de comunidades relativamente isoladas, ainda submetidas ao tempo da natureza (de rios que em época de chuva intensa inundam áreas, mudando a fonte de renda familiar e o calendário das aulas, por exemplo), ou no contexto das cidades onde a globalização é quem dita o tempo. Objetos que surgem a partir dos usos e apropriações de mídias tradicionais, ou a partir da criação de mídias alternativas para atender uma demanda que é local.

Diante dessa realidade diversificada, na qual as mediações também se apresentam em múltiplas faces, a condição interdisciplinar da Comunicação se apresenta como essencial para a compreensão de diferentes realidades econômicas, educacionais, políticas, culturais etc. A produção de conhecimento em Comunicação, de uma forma geral, é primordial para uma região em que a “entrada” e consolidação de meios de comunicação (como a TV e a internet), em muitos locais, ainda não aconteceram ou estão em processo.

Compromisso social na Amazônia

Se poucos conhecem de fato toda a diversidade de realidades existentes na Amazônia, os seus diferentes contextos comunicacionais, é chegada a hora de ampliar o horizonte das discussões que se fazem sobre a Comunicação na Amazônia. Ampliar no sentido de englobar a diversidade, mas também no sentido de levar o conhecimento produzido no locus científico para a sociedade e para outras regiões, no sentido de produzir intercâmbio – uma forma de consolidar a pesquisa em Comunicação na Amazônia e ao mesmo tempo firmar o compromisso social de promover uma comunicação plena, justa, crítica, inclusiva.

E é nesse contexto que se propõe a realização do I Seminário Regional – ALAIC – Bacia Amazônia, como forma de incentivar e tentar consolidar o pensamento crítico produzido sobre a Comunicação na região.

Texto: Élida Cristo

domingo, 2 de outubro de 2011

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Se você deseja ajudar não perca essa oportunidade!

De dia 30/09 a 07/10, acontecerão as inscrições para os Monitores do Mídia Cidadã 2011, que inclui em sua programação o I Seminário Regional ALAIC - Bacia Amazônica.

Estamos fazendo a inscrição para monitores para:

- cobertura (foto, filmagem e produção de textos para os blogs);
- apoio;
- estrutura do evento

Veja mais informações no blog do Mídia Cidadã


A relação com a lista dos selecionados sairá no dia 08/10 e acontecerá uma reunião no dia 10/10 (segunda feira) para determinar as tarefas de cada um.


O site do evento, com todas as informações necessárias é http://midiacidada.ufpa.br e o blog do Mídia Cidadã é http://www.midiacidada2011.blogspot.com